Página do Ìlé Alàkètú Àsé Òpó Òbáìym: Religião Ancestral de Matriz Africana, militando pelos Pobres e Contra a Pobreza.

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

OTÁ




Otá (em nagô, pedra). No candomblé, é basicamente uma pedra, mas com função especialíssima nos rituais. É o receptáculo natural para a força energética dos orixás, uma espécie de pára-raios com a capacidade de atrair e, sendo submetido a diversos rituais, armazenar parte dessa energia.

É o elemento principal do “assentamento” de um orixá em um terreiro ou em uma fonte natural de energia (uma cachoeira para Oxum, por exemplo, um ponto da natureza onde haja vento permanente para Iansã).

As pedras que podem ser transformadas pelos sacerdotes em otás não são escolhidas aleatoriamente. Cada orixá tem seu otá específico: a pedra deverá vir de um rio, na forma de um seixo submerso na corrente, se for servir de assentamento para uma Oxum ou para uma Obá; deverá vir do mar se for servir para assentamento de Yemanjá; da mata se for empregada num assentamento de Oxóssi; de minério de ferro se for empregada para assentar um Ogum; um pedaço de mármore ou qualquer outra substância tão resistente quanto ele, e também branca, para assentamento de Oxalá, etc.

Se a pedra deve ser lisa ou rugosa, se precisa ser retirada de dentro da terra sem nunca ter tido contato com o oxigênio livre ou se deve ter estado obrigatoriamente à exposição do vento, tudo isso vai depender também das exigências próprias de cada orixá.

Os otás ficam no peji do terreiro, dentro de vasilha especial, de louça ou barro, eternamente mergulhada em substâncias líquidas que variam de orixá para orixá: pode ser mel, azeite doce ou azeite de dendê, etc. Junto às pedras, ficam outros “receptáculos” de axé, miniaturas de símbolos dos orixás (usados na dança em tamanho maior), como espadas, cobras, o ibiri, os espelhos, etc.

Em frente a essa vasilha são oferecidas as “comidas de santo” nos ossés semanais ou quando um filho de santo do terreiro faz uma oferenda.

Depois de um tempo, que varia conforme a ocasião, o alguidar com a comida de santo é retirado do peji e levado pelo sacerdote e pelo filho de santo para o local da natureza onde a comida será definitivamente entregue.

Fonte: Revista Xirê